terça-feira, 9 de maio de 2017

DIA DAS MÃES


Mães, não deixem por nada, de participar da comemoração do dia das mães na escola de seus filhos. É de extrema importância para eles.
TEXTO RETIRADO DO LIVRO "SE OS PAIS E PROFESSORES DEREM-SE AS MÃOS.
Lembro-me de um caso que muito me comoveu: era uma aluna de boas notas, participativa, caprichosa. Peguei-a no segundo ciclo e logo percebi sua inteligência, facilidade em assimilar, mas os pais eram omissos.
Uma vez a mãe apareceu no dia da reunião e enquanto a diretora expunha os problemas corriqueiros e gerais, ela, já foi nos interromper pedindo as pastas das filhas, porque estava com muita pressa. Eu apenas confirmei as palavras de minha colega:
-Precisamos ouvir os avisos da diretora, depois subiremos para a sala e estaremos à disposição até as 18 horas, nesse momento, sinto muito, mas não poderemos atender.
Ela olhou para mim e eu apenas confirmei com a cabeça, que para um bom entendedor, aquele era um momento que exigia silêncio e atenção. Com ar de impaciência deu meia volta, saiu e não voltou mais. Foi a única vez que a vi na escola, a segunda foi desfilando na Escola de Samba “Bonecos Cobiçados.”
No dia das mães fizemos uma linda apresentação e essa aluna participou. No final elas ofereceram um botão de rosa para as respectivas mães. Quando a vi com o botãozinho de rosa, sem ter para quem oferecer, corri até ela e disse-lhe que oferecesse a alguma professora ou para a diretora. Claro que ela ofereceu a mim. Eu a abracei e elogiei muito a participação dela. Com uma carinha de desânimo apenas me disse:
- Mas minha mãe não veio!
Veio-me uma vontade imensa de falar que para ir a ensaio de escolas de samba e outras diversões, ela tinha tempo, mas claro que só iria piorar a situação. Então disse-lhe que o que importava era o desempenho dela, e que eu fiquei muito feliz por receber o botão de rosa, que só eu havia ganhado, nenhuma outra professora tivera esse privilégio, mas notei que não havia convencido muito.
Ano seguinte, as coisas começaram a mudar. As notas caíram, começou já a ter certo envolvimento com os meninos, causando-me preocupações. Um dia peguei o caderno dela e qual não foi minha surpresa ao ver que não se encontravam em dia, pulava pedaço da matéria e copiava só o final para me apresentar... Essas malandragens que alunos procuram se utilizar. Tive conversas longas com ela, um dia cheguei mesmo a repreendê-la por estar passando bilhetes para os meninos da sala.
Foi para a quinta série, porque o mínimo ela conseguiu atingir e nunca mais soube dela. Lembro-me com tristeza e culpo cada vez mais as famílias por certas atitudes tão prejudiciais cuja consequência jamais será resgatada na vida dos filhos.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A BASE PARA UM CASAMENTO DURADOURO

 O PERFUME DAS FLORES QUE PLANTEI
Editora Usina de Letras- 2011
Escritora Zilda Costa

Um trecho do livro para reflexão

 Ela conversava muito com Marcos sobre isso, ele respeitava seu ponto de vista, mas sentia um desejo ardente que muitas vezes o levava a esquecer tudo. Tomá-la nos braços, beijar aqueles lábios o deixava completamente maluco. Maria continuava irredutível, retribuía os carinhos, os beijos ardentes, mas quando Marcos tentava avançar o sinal ela o afastava delicadamente: -Não, Marcos você me prometeu esperar. Não sentirei bem diante de meus pais, não sentirei à vontade em me casar de branco, com véu e flor de laranjeira. Deus, nós não conseguiremos enganar. Marcos relutava muitas vezes furioso, dominado por aquela paixão que o consumia, mas tudo que ele mais desejava era ter Maria como esposa, ter seu lar, sabia que era a mulher que queria para o resto da vida. Resolveu então trabalhar como louco para realizar esse sonho e quando a viu finalmente surgindo na porta da igreja junto com o pai seu coração bateu tão forte que parecia que ia saltar para fora do peito. A cerimônia, um rápido coquetel e finalmente a sós num hotel de luxo que ele fez questão para essa noite tão especial. Queria que fosse uma noite inesquecível... Quando Marcos a ergueu nos braços, envolta num lingerie sem luxo, mas suave e linda, Maria sentiu o sabor da verdadeira felicidade. Sentiu a alegria de entregar-se ao seu marido após terem sido abençoados por Deus, a consciência limpa de ter obedecido aos seus pais enquanto via nos olhos de seu marido a imensa felicidade que também o dominava. Ele a tomou nos braços com tanto carinho qual uma bonequinha que pudesse se quebrar e esvair-se em suas mãos. Mas, na cama explodiu toda volúpia reprimida: entregaram-se as ardentes carícias e Marcos viu surgir naquele delicado corpo uma esplendorosa mulher, amante, sedenta também de todo o amor que ele sonhava concretizar. Marcos apesar de ter tantas experiências em namoro com carícias desrespeitosas, era a primeira vez que iria possuir uma mulher. Seu pai, conservador e de costumes rigorosos sempre intimidou os filhos. Nunca teve uma conversa aberta, nem esclareceu nada, apenas dizia sempre que qualquer um dos filhos que fizessem algo errado tinha que assumir sozinho seu erro, que não esperassem nenhum tipo de apoio por parte dele. Assim, Marcos sempre pensava e analisava muito bem tudo que fazia. Quando percebia que a menina era fácil e liberada, ele fugia dela, não queria nenhum tipo de envolvimento promíscuo. Ambos, agora desfrutavam desse momento único sem restrições, sem pudor experimentando todo o êxtase que o amor pode oferecer. Não tinham pressa, cada gesto, cada carícia, cada beijo era muito especial. Tudo era novo, cada toque era prazeroso e eles podiam tudo agora... Era a tão sonhada noite de núpcias! Apesar de respeitar os limites da esposa culminaram com um orgasmo inexplicável, mas que satisfez a ambos. Marcos havia lido muito sobre isso. Na primeira noite não era necessário a completa penetração, isso é praticamente um estupro violento e traumatizante. É aos poucos que vai acontecendo o rompimento do hímen e o carinho e a intimidade sempre prevalece dando conta do almejado prazer. Isso Maria não sabia, temia até um pouco esse momento, mas agora repousando nos braços do marido ria de seu medo. Lágrimas de felicidade rolavam pelas faces. Pensava em todas as moças que perdem esse momento tão lindo, explorando precocemente o sexo, tudo mal feito, às pressas. Não curtia a preparação do casamento, o dia de princesa, a igreja onde ela conversou e entregou sua vida a Deus. Sensível, chorou por todas essas meninas que engravidam, casam ou muitas vezes permanecem solteiras com um filho para criar. O pai não quer assumir, as famílias brigam, se desentendem. Quando a moça é menor de idade, o rapaz é obrigado a casar-se. Imagina que forma mais triste de começar uma vida. Passava um filme na cabeça de Maria, toda a emoção daquele dia ficaria para sempre em sua mente. Ela contaria para seus filhos. Ali ela prometeu que iria dar a mesma orientação de seus pais, como eles foram sábios e como ela os agradecia nesse momento! Se o pai não fosse tão rígido, a mãe tão virtuosa talvez ela não tivesse resistido às investidas de Marcos e estragaria tudo. Vencida pelo cansaço e pelo sono, Maria adormeceu nos braços do marido.

sábado, 8 de outubro de 2016

TEXTO PARA REFLEXÃO

    

  Existiu professora que lá no cantinho da serra, na zona rural, com apenas um quadro e giz, conseguia com seus alunos realizar descobertas, promover realizações, enfrentando os mais diversos desafios. Aproveitava a vivência dos alunos que já auxiliam seus pais desde cedo, nas tarefas do dia a dia para realizarem contas das compras feitas na venda mais próxima. Vivenciavam a utilização do perímetro, da área de um terreno porque auxiliam medir cercas, calculavam a quantidade de arame a ser utilizado. A natureza, com belas montanhas, planícies e lagos exibiam excelente material para a aula de Geografia e as Histórias dos antepassados que eram contadas à sombra deliciosa de árvores imensas que cercavam a Escola.
  Na hora do recreio, a professora recebia bolo de fubá, biscoito feito no fogão à lenha e leite fresquinho:
- Professora foi tirado agorinha ao pé da vaca.
   Eu pergunto agora, o que isso representa? E com muita satisfação e saudade respondo: isto é carinho, gratidão, respeito, admiração!
  Tudo isso encontrávamos lá naquela escolinha no fundo do mato, no alto da serra, onde não existia aluno hiperativo, malcriado, revoltado, que fazia uso de drogas. Também não ficavam traumatizados quando eram necessariamente reprovados. Os pais geralmente humildes estavam sempre juntos: o homem continuava sempre, anos após anos com a mesma esposa. Prometeu diante de Deus amor até que a morte os separe e cumpria, dando um lar harmonioso para seus filhos.
  A professora era aquela que oferecia a chance de uma vida melhor. Os pais aconselhavam os filhos a prestarem atenção na aula, a aprenderem a fazer direitinho as contas que lhes seriam úteis durante a vida.
  E aqueles mais abastados, queriam que o filho aprendesse para continuarem o estudo na cidade.
  Nessa escola, não encontrávamos indisciplina, não encontrávamos superlotações. Podia-se trabalhar usando as carteiras em U, em duplas, em grupo de quatro, tudo era possível, porque tínhamos condições adequadas para isso. A tecnologia está longe: computadores, calculadora são atraentes sonhos, mas uma realidade ainda distante. O objetivo é chegar até lá, mas ainda estão a se preparar. Depois que dominarem as quatro operações poderão usar a calculadora, se houver necessidade de mais agilidade, depois de alfabetizados aprenderão a usar o computador para pesquisas, para montar seus trabalhos, pois já foram treinados a pensar, reformular, alterar, enfim estão prontos para acrescentarem com suas próprias opiniões. É assim que formamos pensadores, críticos capazes para enfrentar os desafios da vida.
Essa escola existiu, não sei se ainda existe, mas não é utopia, foram experiências por mim vivenciadas. E qual o segredo do sucesso? Muito simples e eloquente a resposta: pais e professores que se respeitam, que falam a mesma língua, têm o mesmo objetivo e unem-se para que esse objetivo seja alcançado.
Retirado do livro: Se ao pais e professores derem-se as mãos.